A
Região Hidrográfica do
Tocantins-Araguaia drena 767.000km2,
sendo que 343.000km2
correspondem à bacia do rio Tocantins,
382.000km2 ao Araguaia (seu
principal afluente) e 42.000km2
ao Itacaiúnas (o maior contribuinte do
curso inferior). Limitado pelas bacia do
Paraná-Paraguai (Sul), do Xingu (Oeste),
do São Francisco (Leste) e Parnaíba
(Nordeste), o rio Tocantins, o
tributário mais a sudeste da bacia
amazônica, integra a paisagem do
Planalto Central, composta por cerrados
que recobrem 76% da bacia. O curso
inferior do rio Tocantins e o rio
Itacaiúnas são cobertos por floresta
amazônica. Entre estas duas grandes
regiões, a bacia cruza uma zona de
transição, com ambientes pré-amazônicos.
Os rios Tocantins e Araguaia são
bastante diferentes. O rio Tocantins é
do tipo canalizado, com estreita
planície de inundação. Nasce no escudo
brasileiro e flui em direção Norte por
cerca de 2.500km até desaguar no
estuário do Amazonas (Baía de Marajó),
nas proximidades de Belém. Os principais
formadores do rio Tocantins são os rios
Paranã e Maranhão. Este último nasce na
Reserva Biológica de Águas Emendadas, no
Distrito Federal, onde as bacias
amazônica, do Paraná e do São Francisco
se comunicam. Corredeiras e cachoeiras
são os hábitats mais comuns ao longo de
seu curso: dominam a paisagem do curso
superior, encontram-se espalhadas no
curso médio e formavam um importante
hábitat reprodutivo no curso inferior,
hoje submerso pela represa de Tucurui.
As lagoas marginais são raras no rio
Tocantins, mas integram importantes
planícies de inundação no seu curso
superior, na confluência com o Araguaia
e logo abaixo da represa de Tucurui.
O rio Araguaia nasce nos contrafortes da
Serra dos Caiapós e flui quase paralelo
ao Tocantins por cerca de 2.115km.
Apesar de ser um rio de planície,
apresenta quatro trechos de
cachoeiras e corredeiras. Nos trechos de
planície, encontram-se a Ilha do Bananal
(a maior ilha fluvial do mundo) e
inúmeras lagoas marginais. Durante a
época de cheia, o rio Araguaia e seus
principais afluentes, Rio das Mortes e
Cristalino, formam uma enorme planície
inundada.
O regime hidrológico da bacia é bastante
definido. No rio Tocantins, a época de
cheia estende-se de outubro a abril, com
pico em fevereiro, no curso superior, e
março, nos cursos médio e inferior. No
Araguaia, as cheias são maiores e um mês
atrasadas em decorrência da inundação da
planície do Bananal. Ambos secam entre
maio e setembro, com picos de seca em
setembro. Como os rios da bacia correm
sobre solos pobres em nutrientes, foram
classificados como rios de águas claras.
Cerca de 300 espécies de peixes já foram
identificadas na bacia. Algumas são
típicas da Amazônia central, embora
espécies dominantes naquela região, como
o tambaqui, não ocorram no
Araguaia-Tocantins. No curso superior
ocorrem algumas espécies não amazônicas,
das quais a tubarana (Salminus
hilarii) é o exemplo mais conhecido.
A bacia Araguaia-Tocantins também
apresenta muitas espécies endêmicas,
principalmente no curso superior. De
modo geral, há uma diminuição da
abundância e diversidade de peixes da
foz em direção às cabeceiras,
relacionadas principalmente à ausência
de áreas de inundação.
O rio Araguaia, entre Aruanã e Luiz
Alves, recebe anualmente cerca de 18.000
pescadores amadores. As principais
espécies capturadas pela pesca amadora
são pacu-caranha, matrinxã, pirarucu,
piau-cabeça-gorda, piau-flamengo,
pacu-manteiga, pacu-prata, sardinha,
corvina, traíra entre os peixes de
escama; e, filhote, cachara, barbado,
pirarara, jaú, mandubé ou fidalgo,
surubim-chicote, bico-de-pato, mandi
entre os peixes de couro. O rio
Tocantins também já é um destino de
pescadores amadores. O reservatório de
Tucuruí, no baixo Tocantins, promove
anualmente o Torneio de Pesca da
Amazônia - TOPAM e o reservatório de
Serra da Mesa, no alto Tocantins, também
está atraindo grande número de
pescadores amadores. Outros
reservatórios estão previstos para a
bacia, principalmente no rio Tocantins.